terça-feira, 1 de outubro de 2013

Olá, doce desconhecido/a. Sou o André. Sim, aquele da foto acima, plantando alimentos pela cidade de São Paulo. É um tanto difícil falar de si assim abertamente. Há tantas vivências, lugares que vi, engrandecimentos pelos quais passei, angústias, medos e tormentas, qualidades e defeitos que apenas eu saberei ao longo de vida. E, cá estou, na expectativa de me apresentar de uma forma satisfatória. Afinal, o que vale ser contado da minha vida, sob meu ponto de vista?

Acho que posso começar com algo mais geral. Nasci em São Paulo. Sou Ariano, ascendente Touro, risonho, otimista, iniciador e idealizador de loucuras. Gosto de organizar coisas, praticidade e objetividade, mas não nego meus devaneios, minhas filosofias muitas vezes descabidas e minha reflexão constante sobre os rumos da minha vida, da vida no planeta e do orbitar dos planetas. Sou excêntrico e espontâneo, gosto de fazer os outros rirem das bobagens alheias e, muitas vezes, das suas próprias e imperceptíveis bobagens.

Tenho gosto pelo novo e pelo inovador. Repenso cotidianamente a estrutura da sociedade e faço cenários (im)possíveis na minha cabeça: como seria uma cidade com um sistema multimodal de mobilidade urbana implantado? e se cada cidadão produzisse seu próprio alimento nas lajes e varandas dos apartamentos? como seria a saúde das pessoas se um agricultor tivesse o mesmo mérito e símbolo social que um médico?

Gosto de um bom papo. Coisas triviais, besteiras jogadas ao vento, e profundidades secretas, mistérios e alquimias.Gosto de caminhar com aqueles que sabem das coisas secretas da vida, que sentem os cheiros das flores e que me perguntam sobre minha flor favorita antes de saber minha formação profissional.

Faço poesia, tiro fotos, componho poucas músicas com o que me resta de melodia e gosto de massagear e tocar os outros. Gosto muito de dançar e o faço com liberdade, como se fosse meus últimos passos na terra, ou como se dançasse com a morte, como diria Don Juan nos livros de Castaneda.

Já me envolvi com inúmeros grupos ativistas e de intervenção social. Tenho muito gosto por isso e acho que é o que mais me encanta na transformação do mundo: a criatividade e coragem das pessoas. Participei do grupo Food Not Bombs, que cozinha para moradores de rua e passantes com restos de alimentos doados que iriam para o lixo. Representei a finada Coordenadoria de Educação Ambiental da Sec. de Educação do estado da Bahia em um manifesto no VII Fórum Brasileiro de Educação Ambiental (http://www.youtube.com/watch?v=eK0Cyyed2Co). Como o fantasma da Secretaria de Saúde, entreguei o presente da transparência para o Secretário do Meio Ambiente de SP, Bruno Covas, em reunião do Conselho Estadual de Meio Ambiente (CONSEMA).
Atualmente, atuo na rede Hortelões Urbanos, um grupo de articulação para a implantação de hortas comunitárias e promoção da alimentação saudável na cidade de São Paulo. Cuido da Horta do Centro Cultural São Paulo (CCSP), mas ajudo na articulação de toda a rede e suas ações. Promovemos ações de aprendizagem coletiva na rua, como o ciclo de oficinas que ocorreram na Virada Sustentável em 2013, tendo oficinas de Orquídeas, Irrigação, Compostagem, Plantio em Vasos e Plantas Ruderais em plena Avenida Paulista. Na Virada, pude entrar em contato com dezenas de coletivos que têm buscado transformar a vida na cidade de São Paulo, promovendo a ocupação do espaço público e gerando soluções criativas e inovadoras para solucionar problemas do município.

Trabalho atualmente no Instituto 5 Elementos, facilitando um processo de desenvolvimento local sustentável em 4 municípios do Centro Oeste, uma experiência única que me possibilitou aprender muito sobre processos participativos, gestão comunitária de projetos e envolvimento comunitário e geral. Além disso, com uma paixão tremenda pela área de agricultura familiar e urbana, tenho me envolvido na construção de políticas públicas para o tema na cidade e no estado de São Paulo. Participo da organização da Plataforma de Apoio à Agricultura Orgânica da cidade de São Paulo (http://www.5elementos.org.br/site/index.php/programas/programa-materiais-educativos/publicacoes/nossas-publicacoes/2013-plataforma-de-apoio-a-agricultura-organica-na-cidade-de-sao-paulo/) e sou membro da coordenação geral da Frente Parlamentar de Agroecologia e Produção Orgânica do Estado de São Paulo. Sou membro da rede de Articulação Paulista de Agroecologia (Rede APA) e desde a faculdade tenho atuado com o tema de agroecologia.

"Cultivar o seu próprio alimento é igual a imprimir o seu próprio dinheiro." — Ron Finley

São muitos os sonhos e desejos para compartilhar aqui. De antemão, posso mencionar um sonho muito vivo em mim no momento que é fazer com que cada cidadão do Brasil tenha a possibilidade de cultivar seu próprio alimento. Há algo de revolucionário nisso. O dia em que isso for possível, e for claro para as pessoas o potencial criador de se relacionar de forma próxima com seu próprio alimento, acredito que haverá uma revolução arrebatadora em todos os aspectos da humanidade. Cultivar o alimento é atuar sob o prisma do paradigma do cuidado, da cooperação, dos ciclos vivos e do compartilhamento de recursos. Sonho que isso aconteça um dia e que as pessoas sejam livres das multinacionais que controlam as sementes, das indústrias químicas que envenenam nossa comida e nossos rios e das amarras publicitárias em que muitas vezes somos presos e levados a consumir produtos de baixo valor nutricional. Para mim, isso é promover diretamente a qualidade de vida de uma comunidade.

Por isso quero participar do Programa Jovens Talentos da Arymax. Trilhando o Caminho do Sim, creio que posso me capacitar e aprimorar minhas habilidades para enxergar como consigo ganhar escala em minhas ações e promover uma mudança mais profunda na sociedade. Não estarei satisfeito enquanto não ver as pessoas se alimentando de comidas saudáveis e cuidando da terra e de sua comunidade.

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