Música Aconselhada: Hang Massive - Once again (http://www.youtube.com/watch?v=xk3BvNLeNgw)
reconhecer a abundância ao redor
vivenciar a plenitude do presente
integrar-se inteiramente
ao fluxo dos acontecimentos
cada ser a cada passo
o que deixa em seu rastro?
Desde que me tornei vegetariano, lá em 2004, já trilho um caminho desafiador de redução do meu impacto no mundo. O que antes era um banho rápido, logo tornou-se boicote à empresas poluidoras e usurpadoras de recursos. Há momentos de determinação e firmeza, em que reflito e tomo atitudes radicais para reduzir meu impacto. Há momentos mais flexíveis, em que me permito algumas escolhas conscientes da pegada que deixo atrás de mim. Observo sempre a procedência dos produtos que consumo, assim como seus ingredientes. Nessa jornada, já deixei de lado muitos industrializados que há tempos não sinto o gosto: refrigerante, sucos artificiais, bolachas e miojos.
Mas sigamos adiante com o que me proponho, não apenas nessa semana, mas a partir desse momento. Há inúmeros hábitos que venho querendo adotar em minha vida e acho que o caminho do SIM será a oportunidade perfeita para isso. Vamos lá.
1. Transporte
Atualmente, já utilizo o transporte de forma multi-modal, com o carro, a bicicleta, os pés e o ônibus. Pedalo, pelo menos, 2 vezes na semana para ir ao trabalho e fazer outras atividades. Nos outros 3 dias úteis, acabo ou indo de carro ou a pé, dependendo das minhas ações diárias. Se minha atividade depois do trabalho é perto de algum metrô, acabo indo a pé para facilitar a logística depois. Se volto para casa, acabo indo de carro. Não nego que há algumas vezes em que sinto preguiça e vou de carro, e é justamente sobre essas que pretendo atuar. Quero chegar em uma meta de ir, pelo menos, 4 vezes por semana de bicicleta ou a pé para o trabalho. Além disso, pretendo utilizar mais a bicicleta e os pés nos fins de semana, onde acabo muitas vezes me rendendo ao carro. Sempre que pedalo, ocupo a rua, respeitando as leis de trânsito e as orientações para ciclistas. Acredito que essa é uma forma de contribuir para a cultura da bicicleta em São Paulo. O risco que aceito tomar é uma forma de contribuir para que cada vez mais haja ciclistas na vias da cidade e que as pessoas se sintam seguras para optar esse modo de transporte.
2. Alimentação
Desde que trabalho com agricultura urbana e orgânica, me aperta o peito não me organizar para comprar orgânicos. É uma pulga atrás da orelha e que precisava resolver de uma vez por todas. E, pronto, está feito. Hoje mesmo fiz o meu primeiro pedido de cesta orgânica no Sítio A Boa Terra (http://www.aboaterra.com.br/), um dos mais antigos fornecedores de cestas orgânicas no país. A cesta chegará terça-feira na minha casa e, a partir daí, pretendo abolir a compra em feiras convencionais. Em casa, eu já costumava preferir a compra em feiras livres do que em mercados, pois beneficia um pouco mais diretamente (mas nem sempre!) o agricultor. Mas agora, parti para o orgânico de vez. Além disso, pretendo ser mais ativo ainda na Horta do Centro Cultura São Paulo, que cuido com uma série de entusiastas da agricultura urbana. O solo não é bom e a produtividade não é tão boa, mas acredito que, se me dedicar mais a cuidar da horta, tenho a possibilidade de incrementar a produção e ampliar meu usufruto diário de verduras que eu mesmo cultivei. Preciso de mais disciplina e organização pra isso, e pretendo, a partir de agora, ter mais essa determinação. Já atuo fortemente para implantar mais e mais hortas urbanas na cidade de São Paulo, o que acredito que será uma solução para o abastecimento da cidade, geração de renda e recuperação do espaço urbano e peri-urbano degradado.
3. Energia
Bom, aí vem uma questão delicada. É bem difícil querer modificar a matriz energética de casa, pois moro em apartamento e não consigo implantar aqui um sistema de aquecimento solar da água do chuveiro no momento. Apagar as luzes com frequência, fazer coisas no escuro e com poucas luzes acesas já é mote para mim há um tempo e não acredito que consiga diminuir mais do que já faço. Já abasteço meu carro sempre com álcool ao invés de gasolina, justamente para diminuir o impacto ambiental gerado por gases do efeito estufa e o impacto da extração do petróleo. Faço manutenção regular no meu carro para evitar mal funcionamento e desperdícios e busco dirigir de forma defensiva e sem pisar fundo no acelerador, o que diminui o gasto de combustível também. Enfim, não visualizo muito bem como posso diminuir minha pegada energética no momento, a não ser pela redução no consumo (conforme o tópico abaixo) e pelo consumo de produtos que sejam produzidos o mais próximo possível de São Paulo.
4. Consumo pessoal
Outra questão que veio muito bem a calhar no momento. Uma das juras de fim de ano que fiz para esse ano foi justamente viver com menos. Não comprarei nada novo sem me desapegar de algo velho. Isso significa uma limpeza geral no armário, desapego e doação de roupas, número constante (se não menor) de livros (se um entra, outro sai), desapego, desapego, desapego. Quero menos, pois sei que não preciso de tanto para viver. As épocas em que fui mais feliz foram justamente durante minhas viagens, onde tudo que tinha era uma mochila. Quero ter coisas em uma escala humana: a quantidade de livros que eu consiga de fato ler (já deu para perceber que sou bem consumista de livros), itens que eu use no dia a dia e que não fiquem mais de 3 meses guardados numa gaveta. Preciso me desvencilhar da mania de colecionador que tenho e acho que esse é um momento ótimo para fazer isso. Já marquei com o pessoal do trabalho para fazermos uma feira de trocas no dia 25/10, onde pretendo mais doar do que trocar coisas que não uso mais. Nesse mês, pretendo sentar em meu quarto e separar o máximo de coisas que conseguir para doação, sem medo nem apego das coisas.

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